A ROSA EM 2006
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"Conheci uma margarida mas não me lembro onde
Andei pelas ruas com margaridas e parreiras ao meu lado
Conheci muitas delas mas nunca conheci uma rosa
Conheci várias lavandas que deram muito trabalho
Até violetas conheci e quase fui feliz
Conheci todo tipo de flores
Mas nunca uma rosa
Dentre as dálias passo meu tempo
Deixei um lírio no vale mas às vezes eu pondero
Me pergunto enquanto ando por entre campos e arbustos
O problema talvez seja quem sabe?
Mas eu nunca conheci uma rosa
Nunca conheci uma rosa
TALVEZ NUNCA TENHA PROCURADO POR UMA
Enquanto vagava pelas trevas, será que passei por ela?
No final das contas,
Será que a culpa é minha?
Quem sabe...
Mas eu nunca conheci uma rosa
Nunca conheci uma rosa"
( Trecho de "O Pequeno Príncipe").
Todo mundo procura a sua rosa vermelha, o seu pássaro azul. Sejam eles de qualquer espécie. Um amor, a felicidade, um novo caminho, uma pessoa.....todos procuramos ou buscamos algo.
Seria muito triste passar pela rosa vermelha e não notá-la. Quantas vezes fizemos isso? Ou não percebemos que o fizemos. Passar por coisas importantes e não sentir-lhes a falta.
Às vezes, o amor, a felicidade estão bem mais próximos do que pensamos e mesmo assim, buscamos outras flores, outros aromas.
QUE EM 2006 CADA UM DE NÓS ENCONTRE SUA ROSA.
ESPERO SINCERAMENTE PODER SER O QUE ALGUÉM PROCURA E AINDA NÃO ENCONTROU.
O MAIS DOCE PERFUME É AQUELE QUE NÓS APRENDEMOS A APRECIAR.
UM ANO NOVO MARAVILHOSO E CHEIO DE ALEGRIAS A TODOS VOCÊS E A MIM TAMBÉM.
FELIZ NATAL
QUERIDA JULIA

Eu poderia falar várias coisas sobre o Natal! Mas nunca soube falar sobre o Natal porque geralmente não penso nele. Passo por ele. Todos passamos por ele como se devesse ser pulado para a próxima etapa.
É estranho. O significado do Natal se perde para muitos.....eu sempre fico muito emotiva, me lembro de acontecimentos e pessoas que já foram embora.
Eu me lembrei de você vózinha. Sempre me lembro de você mas hoje foi diferente. Lembrei do seu cheiro e do cheiro da sua comida. Das suas mãos nos meus cabelos. Nâo pude te contar mas você sabia que se eu tivesse tido uma menina ela teria seu nome? Sim. Julia.
O Natal deveria servir para dizermos o quanto amamos as pessoas que nos são queridas. Eu já te falei isso vó? Vó, EU TE AMO. Se não te falei antes, me desculpe. Agora não dá mais tempo, mas falo mesmo assim. Eu vivia te falando isso. Mas agora parece que esqueci como se faz. Nâo ando falando muito. Queria que estivesse aqui comigo.
Queria fazer tudo diferente. Não meu amor por você porque ele não conseguiria ser maior. Mas queria fazer da minha vida tudo diferente. Você me ajuda?
Você ainda consegue me ver? Viu como cresci? Não brinco mais de boneca. Hoje fui buscar o vinho lá no quartinho e vi aquela bonequinha que você me deu. Nunca me desfiz dela. Foi seu último presente para mim.
Quando você morreu, um mês antes do Natal, eu pensei: "Não gosto mais do Natal"! Mas hoje, depois de tantos anos, o Natal e você estão de mãos dadas. Você foi minha querida que fez muitos Natais serem os melhores da minha vida. Nâo somente Natais, mas aniversários, primeiros dias de escola, férias, dias doentes........você foi minha companheira vó. Sempre será.
Talvez um dia eu entenda porque foi embora tão cedo. Eu não te falei todos os "Eu te amo" que gostaria.
Hoje é Natal.
Vó, fale para Jesus que eu entendo porque ele quis você aí no céu. Não tinha nenhuma avó aí em cima igual você.
Há 20 anos eu como um danoninho no Natal pra me lembrar de você. Nem gosto mais de danoninho, mas tem gosto de vó.
Mais um Natal.
UM BEIJO E FELIZ NATAL PARA TODOS VOCÊS MEUS AMIGOS.
Todos os jardins deviam ser fechados,
com altos muros de um cinza muito pálido,
onde uma fonte
pudesse cantar
sozinha
entre o vermelho dos cravos.
O que mata um jardim não é mesmo
alguma ausência
nem o abandono...
O que mata um jardim é esse olhar vazio
de quem por eles passa indiferente.
Mário Quintana
PARTE I O GOSTO

Uma tampa para cada panela
Eu sempre disse isso, com outras palavras (!), mas disse. De que adiantam atributos helenísticos se o cérebro é uma noz macerada? Esse é o meu conceito de beleza, mas vemos que eles podem variar entre as pessoas, os prazeres, os desejos.
Uma vez, conheci, quer dizer, contemplei por meses um rapaz, apreciando seu modo de andar, seu sorriso, seus cabelos. Ele era meu modelo de beleza, do belo, do perfeito. Ah, eu suspirava toda vez que ele passava por mim. Eu nunca teria a coragem de num breve momento chamar sua atenção e provocar uma conversa, talvez eu já soubesse do desastre. Foi ele quem fez isso. Simplesmente parou, me olhou e disse “E aí gata, beleza?”. Eu morri, porque dentro de mim morreram meus sonhos, meus encantos, minhas fantasias. Ele falava através de monossílabos, num dialeto próprio de quem só conhece músculos e bumbum de mulher. Mas ele me ensinou muita coisa. Ele me ensinou a correr. Correr dele, do telefone, da rua da casa dele, do carro dele, da voz dele. Foi uma decepção desastrosa. Ele não entendia como pudesse existir alguém no mundo que resistisse aos encantos daqueles braços, daquele homem perfeito. Mas perfeito para quem? Talvez o tenha sido por um breve espaço de tempo para mim. Mas a beleza certamente pousava em outros ares. Por isso há tantos enganos em relacionamentos, fantasias, ilusões. Deveríamos nos questionar sobre nossos conceitos. O que eu realmente gosto? Qual é meu verdadeiro Gosto? Se é que exista verdadeiro ou falso em matéria de Gosto. Lembrem-se: “Há uma tampa para cada panela”. Clichê? Talvez. Mas muito sábio.
Drika
O ACENO
PARTE II O GOSTO

GOSTO NÃO SE DISCUTE MESMO
Durante os séculos 17 e18, coube à filosofia britânica atribuir aos sentidos um novo papel no processo do saber. Desde John Locke (1632-1704) a sensação já não é considerada um obstáculo ao conhecimento, mas justamente o lugar onde ele começa, e essa virada tem basicamente duas conseqüências para a filosofia da arte. Os tratados sobre o belo foram pouco a pouco substituídos pelos ensaios sobre o gosto, faculdade capaz de identificar a beleza. Esta deixa de ser uma propriedade objetiva das coisas e torna-se um sentimento experimentado pelo sujeito.
David Hume (1711-76), um dos mais contundentes críticos do racionalismo, escreve: “A beleza não é uma qualidade inerente às próprias coisas, ela existe somente no espírito que a contempla, e cada espírito percebe uma beleza diferente”. Ou, na versão grotesca de Voltaire (1694-1778): “Perguntem a um sapo o que é a beleza, o belo admirável, o “to kalón”. Responderá que é a fêmea dele, com seus dois grandes olhos redondos, salientes, espetados na pequenina cabeça, um focinho largo e achatado, barriga amarela, dorso acastanhado”.
....”O Gosto” principia com a mesma certeza subjetivista: “As fontes do belo, do bom, do agradável etc. estão em nós mesmos; buscar suas razões é buscar as causas dos prazeres da alma”.
.....Admitimos a legitimidade das preferências pessoais quando os objetos comparados se equivalem (Mozart ou Beethovem, Balzac ou Stendhal?), mas passaríamos por extravagantes ou ridículos se teimássemos em dizer que Machado de Assis é inferior ao último dos escribas.”
(Em “Ensaio sobre o Gosto”, o iluminista Montesquieu diz que a sensação é o ponto de partida para o conhecimento), in especial para a Folha de Franklin de Mattos, professor titular de filosofia da USP.
VOAR

Eu e a borboleta
Este é um dos maiores entraves dos estudantes e pessoas
Segundo Othon M.Garcia, escreve mal quem não pensa, ou melhor, não põe seus pensamentos em ordem através de idéias. E como se tem idéias?
Faço uma análise a partir de mim mesma, quanto mais leio mais pensamentos e idéias me surgem. Nem ligo se pode ser plágio pensar a partir de outro pensamento, mas não quero ser nenhuma filósofa que cria, e acredito que muito pensamento já foi criado.
Prefiro ficar na captura das mentes brilhantes, adentrar em seus mundos fantásticos e lógicos, a magia, o pensamento.
Sou uma mera leitora que busca sorver a matéria pensante materializada
Aos poucos, você sente a necessidade de escrever também, não a idéia dos outros, mas as que você teve ao lê-las. Suas interpretações, dúvidas, raivas.....Sim, raivas.
Às vezes, entrar no pensamento dos outros causa temor, raiva, insegurança.
Mas quando você consegue decifrar o que ali está transcrito, surge a beleza de ser humano. Isto me diferencia da larva que vira borboleta. Não que ela me seja inferior no aspecto ser vivo, talvez na cadeia alimentar sim, mas e no Macro/Micro do Universo?
A borboleta nasce e morre. Eu nasço e morro.
Ela se alimenta e foge de ser alimento.
Eu choro, como, durmo, estudo, leio, amo, sorrio, canto, passeio, viajo, brigo, sinto, penso, corro, sangro, falo, ouço, saio, ando, raciocino........raciocino. Eu posso. Eu consigo.
Será que tantos verbos somente servem para que nós sintamos que somos superiores?
De que vale ser superior se me imponho o fato de “Não sei escrever” ou “Odeio ler”?
Subjugar a nós mesmos é um vício e uma afronta a todos o bens que a natureza nos proporciona.
É somente a ponta do iceberg, se me fado a idéia de não conseguir, é uma cadeia de sucessões mal logradas.
O vôo da borboleta é fantástico pois um dia ela descobre que nasceu para voar.
O vôo do ser humano é além do existir, é o milagre de pensar.
(Texto escrito em resposta a uma amiga que vive dizendo: "Eu não sei escrever".)
Adriana
DE CABEÇA PARA BAIXO

Li uma crônica de Mario Prata sobre "As mulheres de 40". Adorei! Ainda não cheguei mas confesso que sinto um friozinho na barriga em pensar. Que horrível, eu sei! Mas não é o fato de fazer 40 anos, mas a idéia que o tempo se esgota para as realizações e não deveria ser assim.
Deveríamos ter a sensação de experiência, maturidade, não de escassez de tempo. Como se o pêndulo do relógio corresse com sofreguidão.
Mas não tenho tempo pra isso (Ah! sempre o tempo, marujo incansável e destemido), Adélia Prado tinha razão, nossos verbos têm tempo (passado.....que nunca nos abandona, ora feliz ora choroso), (presente......com pedrinhas espalhadas, esperanças abandonadas e alegrias buscadas), (futuro......o que será de ti?).
Por que ainda tenho a sensação de não ter encontrado algo? O que eu ainda busco?
Quando saio e vejo as pessoas, sim as vejo, não somente olhando suas cores, seus trejeitos, mas observo por quanto tempo conseguem se movimentar sem olharem à sua volta. Eu também faço isso. Quando estou nervosa, quando com pressa não noto nada. É como comprar um queijo e ir cortando os pedaços e jogando fora sem prová-lo. Eu amo queijo. Mas desperdício deveria ser proibido.
Me sinto revirada, de cabeça para baixo, mas isso não é ruim, pode ser inquietante, mas eu não me acostumo à passividades, calmarias......sou tempestuosa, apaixonada....pelas coisas, pela vida, embora me resguarde por ora de me aprofundar em suas cadências, como um subterfúgio. Talvez seja uma espera, um retiro pra que quando eu estiver pronta.......
CONJUGUE TODOS OS VERBOS E EM TODOS OS TEMPOS.
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Aqui está minha vida
Aqui está minha vida.
Esta areia tão clara com desenhos de andar
dedicados ao vento.
Aqui está minha voz,
esta concha vazia, sombra de som
curtindo seu próprio lamento
Aqui está minha dor,
este coral quebrado,
sobrevivendo ao seu patético momento.
Aqui está minha herança,
este mar solitário
que de um lado era amor e, de outro, esquecimento.
(Autor: Cecília Meireles)
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Mulher ao cair da tarde
Ó Deus, não me castigue se falo
minha vida foi tão bonita!
Somos humanos,
nossos verbos têm tempos,
não são como o Vosso, eterno.
(Autor: Adélia Prado)

Se eu não fosse professora teria feito jornalismo. Sempre amei a atmosfera que envolve essa área. Notícias, textos, críticas......tudo! Amo escrever, ler e refletir. Sempre foram meus passatempos preferidos, enquanto as outras crianças brincavam.
Sim. Tive uma infância sozinha, reclusa em meu próprio mundo. Não tenho nenhum trauma, apesar de achar hoje que, o relacionamento com outras crianças poderia ter me beneficiado em alguns aspectos refletidos atualmente. Eu poderia confiar mais, me relacionar melhor, sentir falta de gente. Amo a solidão, mas ela me faz mal vez ou outra.
Não fui jornalista mas acompanho certas vezes tristemente o rumo que se desencadeia. Creio que o jornalismo tem uma obrigação social pautada na verdade, na investigação e no respeito.
Isso é jornalismo. Nem todos pensam assim. As pessoas precisam exercitar o controle e o filtro de tudo o que ouvem ou lêem, nem tudo procede.
"É muito difícil dizer ao público o que ele quer ouvir. Difícil é falar a antítese do que ele quer escutar..."(frase do jornalista americano Stephen Marshall)

Você já se viu em uma situação tal, desesperada, de ter um problema e não saber a quem recorrer ou que atitude tomar, por absoluta falta de informação? Pois é, na sociedade atual, um dos principais instrumentos para acabar com essa ignorância é a mídia, junto com as escolas e as igrejas!
Os meios de comunicação têm esse papel de prestação de serviços, esse papel de prover o bem que é a informação. Mas o código de ética dos jornalistas tem isso apenas como o começo. Tão importante quanto lutar pela integridade da informação é defender os Direitos Humanos.
Depõem muito favoravelmente, então, a favor da profissão de jornalista, as reportagens e séries de reportagens cuja temática falam, por exemplo, da promoção dos direitos da criança (apoiados pela ANDI), da proteção aos refugiados (tão bem retratados por Sebastião Salgado), expatriados e asilados políticos, ou ainda de medidas contrárias ao trabalho escravo.
É dever de todo jornalista conhecer bem a Declaração Universal dos Direitos do Homem. Assim como é seu dever, assumido no ato da diplomação, de promover a cultura brasileira e a Língua Portuguesa em solo brasileiro. Valorizar a cultura local é plantar uma semente pela valorização dos homens que a produzem.
Assim como o é a defesa da Língua Portuguesa. Nós, jornalistas, temos o chamado a dominar a língua, que é instrumento essencial de trabalho. E nós desenvolvemos a habilidade de pensar com mais clareza lendo os clássicos da literatura, os manuais de redação, as gramáticas, os dicionários e, melhor, a combinação de todos eles.
Para concluir, deixo o meu recado, que tiro de grandes homens como Jesus Cristo: a partir de agora, só faça aos outros o bem que você gosta que façam a você. Então apóie todas as iniciativas de combater a censura e a auto-censura. Ou melhor, seja você também um catalizador dessas transformações. Quem tem a ganhar somos todos nós e as próximas gerações.
Aurélio Galvão, Jornalismo Empresarial a serviço do seu
bem-estar, é jornalista e administra seu site pessoal (www.aureliogalvao.jor.br), em que discute como sociedade e imprensa podem beneficiar-se mutuamente.