MINHA FORMATURA (1999-2002)
"Aprender é descobrir aquilo que você já sabe,
Fazer é demontrar que você o sabe,
Ensinar é lembrar aos outros que eles sabem tanto quanto você,
Vocês são todos aprendizes, fazedores, professores."
(Richard Bach)
"Ô! Adriana, você já entregou os estágios para a professora? E o seminário já está pronto? Nem estudei para as provas, tem tanta coisa. Não tenho tempo. Essa professora é muito chata.
-Nem eu.
_Eu também não.
_Não agüento mais essa faculdade, estou cansada.
_Nâo vejo a hora de terminar."

TERMINOU
"Agora, cada um de nós seguirá um caminho, o seu caminho,
e a separação é inevitável. Ficarão, na memória de cada um, os momentos que
passamos juntos...os bons momentos, principalmente. Esses, não se apagarão,
e ouviremos por muito tempo ainda o eco de nossos risos... cada um seguirá o seu
caminho, com a lembrança do que fomos e a esperança de sermos mais, de
podermos mostrar que valeram a pena esses anos de luta e de sonhos."

HOJE (2006)
"Ô, fessora, cê num acha que tá muita coisa pra nóis escrevê? Eu num gosto de lê,
é muito chato.
Ô, dona, vai mais divagar...
Ocê é casada fessora? Escreve mais grande fessora...
Ô, fessora, como a sinhora aguenta a gente? Nóis num pára de falar! A sinhora num cansa?
EU NÃO POSSO CANSAR, EU SOU PROFESSORA. QUEM VAI CANSAR UM DIA SÃO VOCÊS, E AÍ, TALVEZ "A FESSORA" NÃO ESTEJA MAIS AQUI.
Por que a sinhora quis ser professora?
PORQUE QUANDO EU DOU AULA E ESTOU PERTO DE VOCÊS, METADE DE MIM QUER SORRIR, METADE DE MIM QUER CHORAR, METADE DE MIM QUER FICAR, METADE DE MIM QUER PARTIR...
MAS SEMPRE GANHA A METADE QUE SORRI E QUE FICA.
ESSAS METADES SE TORNAM UM INTEIRO, O QUAL MORA O AMOR QUE EU TENHO POR VOCÊS.

QUANTAS FORMATURAS?
Ainda não sei quantas formaturas terei. Já estou na segunda e os livros para o mestrado reproduzem-se a cada dia. Tenho tantos planos e projetos que nem sei se conseguirei realizá-los, mas já os idealizo mesmo assim. Lembrei esta semana de uma frase de música "Eu agora estou falando às paredes...", às vezes, é assim que me sinto. Eu já fui aluna, continuo sendo e, hoje, sou professora. Lembro-me de meus sonhos! A realidade é diferente e talvez nos sintamos perdidos diante da fragilidade e da impotência que o sistema criou na educação. Vejo cada rosto, cada aluno...cada minuto desperdiçado de suas vidas. Mas também vejo a alegria, a esperança, a inteligência. Qualquer pedra nunca será suficiente para me afastar de estar junto a eles. Hoje entendo tantas coisas! Mas somente posso sorrir e não partir. Permanecer e acompanhar. Talvez eles nunca saibam que eu abandonei muitas coisas para somente estar presente. Nem tudo o que o dinheiro pode pagar, consegue comprar.
MÁSCARA

A máscara não é específica do Carnaval. Tem origem religiosa, e ainda hoje, na África, por exemplo, conserva o sentido primordial: homem que envergue a máscara do crocodilo é o espírito do crocodilo - a máscara manifesta a divindade e transmite ao portador todo o seu poder. Estes aspectos foram-se esquecendo paulatinamente noutras culturas. Quando passa para o teatro, grego e romano, já o sagrado desapareceu e a identificação faz-se entre actor e personagem, ou entre máscara e personagem, que aliás são o mesmo vocábulo em latim: persona.
Há muitas máscaras, tantas quantas as ocasiões e os destinos. Nem sequer se restringem aos grupos humanos, entre os animais também é possível falar delas, com outros nomes, evidentemente. Desde a máscara antiga à usada pelo apicultor, desde a máscara em fotografia à de simples adorno, desde a máscara de oxigénio à de beleza, desde a máscara funerária à imagem de marca de um político ou de um artista, desde a máscara de esgrima à heteronimia pessoana, o seu uso é muito extenso no tempo e no espaço. É tão remota a sua origem e tão constante a sua presença no mundo vivo que se diria biológica. Certos animais escondem-se por sua própria vontade, como os cães, outros vivem ocultos sem saberem disso, como se usassem máscara. Pode ser uma máscara de cores garridas, que nem sequer conseguem ver, mas é um sinal de perigo para homens e outros predadores, pode ser tão críptica que se mimetizam com o chão, as folhas, os troncos de árvore.
A camuflagem não foi inventada pelos soldados. É uma máscara também, que usam para se ocultarem do inimigo. Esse é um valor constante da máscara no domínio profano - a ocultação e o poder de iludir. No caso dos animais, exemplo bem conhecido é a homocromia do camaleão: a cor da pele muda consoante o lugar onde está, mimetizando-se com ele. Já o camuflado dos soldados é imutável, mas nunca se sabe o que o futuro nos reserva.
Não, a máscara está longe de ser característica só do Carnaval, em que desempenha uma função catártica, libertando-nos por uns dias dos pensamentos amargos, das rotinas quotidianas. Nas saturnais, com que mantém alguma relação, tudo era permitido: durante as festas, invertiam-se os valores, os senhores serviam os criados e os criados injuriavam os senhores - outra forma de libertação. E o mesmo acontecia nas festas da Epifania, em que também se usavam máscaras, e se parodiavam os membros do clero e a própria liturgia. São conhecidas as missas do burro, zurradas em vez de rezadas.
Sob a máscara tudo se oculta - o Bem e o Mal. Tanto usam máscara o Zorro e o Superman como os ladrões e os terroristas. Realmente todos usamos máscaras, sem elas era impossível sobreviver. Sorrimos quando nos dão uma bofetada, choramos para obtermos o que pretendemos, montamo-nos nas nossas tamanquinhas para parecermos mais fortes do que somos, falamos mais alto do que os outros para os atemorizarmos, mostramos os nossos mísseis para paralisar de medo o inimigo, fazemos ar sonso para fingirmos que nem um prato seríamos capazes de partir, vestimos o nosso melhor fato para ninguém saber que estamos tesos, publicamos fotografias antigas para escondermos a idade, e que mais? Mas não era possível andarmos nus na rua, nós, os mais indefesos animais da Criação. Sem máscara, não conseguiríamos segurar as lágrimas nem o riso, seríamos incontinentes emocionais, o que nos deixaria à mercê da predação social.
A máscara é uma arma que pode ser usada para defesa ou ataque, e por isso, no Carnaval, nem sempre tem sido permitida na via pública. Mas essa é a máscara de veludo ou papelão. A outra, a máscara da nossa própria cara, é a que a vida em sociedade exige. Se nos descuidamos, de repente pode cair, e com ela, sabe-se lá? - pode cair o Iraque, a torre de Londres, ou tudo o que em nós não passa de fragilidade, pânico, impotência e presunção.
(1) In: Ramón Margalef, "Ecología". Ed. Omega, Barcelona, 1977.

MINHA MÁSCARA
Deixei, deixei....deixei-a cair
E agora? Não consigo respirar.
O ar, o sopro, os risos, foram-se com ela.
Para onde ela foi? Eu a perdi. Ela se foi.
Ela me protegia, sombreava meus medos,
Guiava minhas palavras. Estou perdida.
Caída na floresta da verdade. Ninguém quer a verdade.
Todos suportam as cores de máscaras perfeitas mas,
Abominam o rosto limpo.
Onde você está minha púrpura protetora?
Só resta a solidão do meu rosto nesse vazio de verdades.
A máscara é muito mais sedutora. Ela esconde a dor.
Eu a tirei de meu rosto e de meus pensamentos.
Minha estrada é vazia.
Minha estrada é vazia.
(Adriana)

EU GOSTO! E VOCÊ?

Meu sangue
Hoje sou mulher descalça que caminha sobre lanças.
Muda nas cores de um conjunto de telas que passam despercebidas,
Indecisa na encruzilhada do tempo que ficou lá trás e,
Adormecida nos amigos que se foram.
Ontém fui uma sílfide em forma de ostra jogada aos ares,
Vozes cantavam meu infortúnio que aos poucos se dissipava em úmidos cristais,
Saltavam-me espinhos pelos vãos dos dedos e dos pensamentos,
Mas nunca nos corredores do meu passado, eu me deixei coagular.
Sempre fui sangue quente e apaixonado e talvez por isso, muitas vezes,
O vermelho de minhas veias se tornavam salgados como lágrimas impiedosas.
Essa clorose que me consome vai embora um dia.....junto com a horrível claque que me persegue.
O que mais me enternece é o futuro que ainda não tenho...esse sim.
Esse eu posso cantar de girassóis e beija-flores.
Posso deixar meu sangue escorrer como um rio vitorioso.
Posso correr com as pernas que encontrei, nas asas dos meus sonhos.
Tudo acabou. Tudo sempre acaba. E gosto que acabe.
Pra começar de novo.
(Adriana)

Eu vou dizer uma coisa. Ninguém muda ninguém. Todo mundo teve um passado, tem um presente e terá um futuro. Será que é tão difícil aceitar as pessoas como são? Tem sempre alguém querendo mudar alguém. Com um jeitinho aqui, outro ali e por aí vai. Que coisa chata. Eu tenho pavor disso como naquelas situações em que você está numa rodinha e discorda de algumas coisas e tem que ficar quieto porque o "falante" é tão autoritário que você se cansa só de pensar que vai ter que argumentar.
Eu já me diverti muito com isso. Mas hoje acho que me chateio um pouco. Minha mãe adora flores. Eu adoro minha mãe. Ela é muito sábia. Um dia ela me disse que eu nunca seria uma samambaia e, se eu fosse uma flor, seria uma orquídea. Achei aquilo lindo! Mas ela me explicou: "A samambaia inclina com o vento, vai onde ele deseja. A orquídea abre em flor raramente e somente quando deseja". Bem, não fui comparada à orquídea pela beleza, mas mesmo assim, gostei.
Certo é que o ser humano aprende até o último suspiro e pode mudar até o fim. Mas é ele que decide mudar.

EU GOSTO.....
Do meu filho, de ler, de ler e não entender pra ter que ler de novo, de desafios, de ser professora, de chuva, de roupa rosa, de Picasso e Mondrian, de café e seus derivados, de perfumes e do meu perfume Angel, de caneta colorida, de orquídea, da França, de rir até chorar, de chocolate, de poesia,da minha mãe, do meu quarto, da minha irmã quando fica com falta de ar numa boate e quer ir embora, de biblioteca, de ver arco-íris, de cheiro de dama da noite, do meu amigo Adriano, do ursinho Pooh, de sapatos, de presentes, de cinema, da comida da mamãe, do meu chinelo, de xícara de porcelana pintada, da minha cachorra, do meu pai que é muito chato, do sítio do pica-pau amarelo, de ser mãe, de papai noel, de ler o jornal esparramada na cama, da minha sobrinha bagunceira que puxou à tia, do meu computador, de estudar, de caminhar na sombra, de música clássica, de todos os livros, de beijo no pescoço, de lembrar da minha avó, de queijo, de chorar, de escrever, de todos que comentam no meu blog, do meu blog, de cozinhar, de banho, de ler o que meu amigo Vanderlei escreve (www.alecrim.com), de viver mesmo que não seja do jeito que gostaria, mas posso mudar.................
Eu gosto de várias coisas.
Eu devo gostar mais de mim.
Cada um tem sua impressão digital.
Seus gostos.