LEMBRANÇAS

Às vezes, quando eu falava que duvidava das coisas que a minha mãe me dizia
Quando falava da vida como um caminho cheio de espinhos a serem seguidos a ferro e cruz
Quando me dizia e repreendia, eu achava que não tinha muita importância, é sempre assim na infância
Quando me protegia e eu achava estar me controlando apenas ocultava as tristezas desta vida
E agora, eu corro feito louco por não ter te ouvido tanto, mas te sinto aqui tão perto de mim
Mas a carruagem deste sonho ainda me leva até você um dia, mas por enquanto, vou ficar por aqui tentando
Pois não canso de lembrar o quanto e o tanto que você me ensinou e nunca deixou de acreditar em mim
Hoje mãe, está tão longe seu filho, lutando pelas desavenças do caminho
Agora mãe, acredite no destino pois ele não falha e se tornou nosso amigo
Um sonho mãe, só se completa quando superados são os muros do sacrifício
E eu não vou me deixar levar pelas dificuldades que ainda vamos superar
Um dia, sem querer, a gente se encontra, pois essa vida é grande e longa, cheia de surpresas
Mãe! não se esqueça desta canção que fala de amor de filho
Pois ela foi feita de coração, e se eu errei um dia, peço perdão.
Música feita por Rogério Takashi Nose Junior,
para sua mãe, Nilde.

O filho da minha amiga Nilde, fez essa música para ela. Ele mora no Japão e pedi para colocá-la aqui no blog porque achei muito linda. Me fez pensar em muitas coisas. Nos erros e dúvidas que temos na vida. Como é difícil acreditar que estamos errando. Mas não tem nada melhor na vida do que os erros para nos abrir novos caminhos. Eu penso nos meus erros e vejo como eles me deixaram mais forte hoje.
Um filho sempre leva os conselhos de sua mãe...
...seja na lembrança, seja nas dores ou alegrias, nos erros ou acertos.
O maior presente que alguém pode ter são as palavras que sua mãe plantou em sua vida. Eu penso todos os dias em como a minha mãe me fez crescer e, vejo que sem ela meu caminho seria outro, bem diferente. Seria triste e desencontrado.
Quando eu era mais jovem sentia que estava sempre certa e, com isso, abri as portas para os erros. Não aceitar as opiniões é seguir sem abrigo e, desemparado, é pedra sobre pedra.
Mas o melhor de tudo é chegar lá na frente e humildemente dizer: "Eu errei", para depois começar de novo e buscar acertar.
Cada dia nos traz novas luzes...
Uma coisa tenho certeza. A pessoa que fez essa música tem uma grande mãe e, essa mãe, tem um grande filho também.
A maior parte do tempo buscamos coisas pequenas nas pessoas quando na verdade, deveríamos somente buscar as grandes coisas. Enxergar as alegrias, os acertos, as palavras de amor...porque tudo passa. Tudo sempre passa. O que realmente fica na lembrança é o amor e músicas como essa!

Tocando em frente
Ando devagar porque já tive pressa
E levo esse sorriso
Porque já chorei demais
Hoje me sinto mais forte
Mais feliz quem sabe eu só levo a certeza de que muito pouco eu
sei
Nada sei
Conhecer as manhas e as manhãs
O sabor das massas e das maças
É preciso amor pra poder pulsar
É preciso paz para poder seguir
É preciso chuva para poder florir
Sinto que seguir a vida seja simplesmente
Conhecer a marcha, ir tocando em frente.
Por um velho boiadeiro levando a boiada,
Eu vou tocando os dias pela longa estrada eu vou,
Estrada eu sou.
Conhecer as manhas e as manhãs
O sabor das massas e das maças
É preciso amor para poder pulsar
É preciso paz para poder seguir
É preciso chuva para florir
Todo mundo ama um dia
Todo mundo chora, um dia a gente chega.
E no outro vai embora
Cada um de nós compõe a sua própria história
E cada ser em si carrega o dom de ser capaz
De ser feliz...
Conhecer as manhas e as manhãs
O sabor das massas e das maças.
É preciso amor para poder pulsar
É preciso paz para poder seguir
É preciso chuva para florir
Sinto que seguir a vida seja simplesmente
Conhecer a marcha ir tocando em frente.
Cada um de nós compõe a sua própria historia
E cada ser em si carrega o dom de ser capaz
De ser feliz
(Renato Teixeira)
Minha vida é uma colcha de retalhos
Todos da mesma cor...
(Mario Quintana)

A última Canção
Quando disserem os médicos
Que nada há a fazer,
Eu quero que tu me cantes
Uma canção de bem-morrer...
(Mario Quintana)

Hoje me lembrei de alguém. Todos as cores e todos os cheiros me lembraram essa pessoa.
Jà não está mais aqui nesse mundo.
Nâo sei como ela classificou sua vida: se foi uma colcha de retalhos da mesma cor ou não.
Mas me fez pensar em como quero que seja a minha.
Já houve um tempo em que não havia cor alguma. Hoje, cada dia tem se pintado como uma
tela que nunca termina. Mas um dia estará acabada e, nesse dia, quero uma canção de
bem-morrer também. Não quero lágrimas. Quero amores.
Não quero gemidos, quero lembranças...
A felicidade não é um carrinho de realizações, mas a mistura de sensações que a alma carrega.
Azul, vermelho, rosa, amarelo, marrom, verde, cinza, branco...
Eu quero uma canção quando for embora...mas não uma canção de saudade.
Quero uma canção que diga que hoje, hoje...me sinto feliz!

Zé Ramalho - Chão de Giz
Eu desço dessa solidão, espalho coisas sobre um chão de giz
Há meros devaneios tolos a me torturar
Fotografias recortadas em jornais de folhas amiúde
Eu vou te jogar num pano de guardar confetes
Eu vou te jogar num pano de guardar confetes
Disparo balas de canhão, é inútil pois existe um grão vizir
Há tantas violetas velhas sem um colibri
Queria usar quem sabe uma camisa de força ou de vênus
Mas não vão gozar de nós apenas um cigarro
Nem vou lhe beijar gastando assim o meu batom
Agora pego um caminhão, na lona vou a nocaute outra vez
Pra sempre fui acorrentado no seu calcanhar
Meus vinte anos de "boy, that's over, baby" , Freud explica
Não vou me sujar fumando apenas um cigarro
Nem vou lhe beijar gastando assim o meu batom
Quanto ao pano dos confetes já passou meu carnaval
E isso explica porque o sexo é assunto popular
no mais estou indo embora
No mais...
ESTOU INDO EMBORA...
"Estamos sempre de partida,
até o momento de sermos deuses."
(Lya Luft)

POESIA NON DEVE SIGNIFICARE, MA ESSERE
Canção na plenitude
Não tenho mais os olhos de menina
nem corpo adolescente, e a pele
translúcida há muito se manchou.
Há rugas onde havia sedas, sou uma estrutura
agrandada pelos anos e o peso dos fardos
bons ou ruins.
(Carreguei muitos com gosto e alguns com rebeldia.)
O que te posso dar é mais que tudo
o que perdi: dou-te os meus ganhos.
A maturidade que consegue rir
quando em outros tempos choraria,
busca te agradar
quando antigamente quereria
apenas ser amada.
Posso dar-te muito mais do que beleza
e juventude agora: esses dourados anos
me ensinaram a amar melhor, com mais paciência
e não menos ardor, a entender-te
se precisas, a aguardar-te quando vais,
a dar-te regaço de amante e colo de amiga,
e sobretudo força — que vem do aprendizado.
Isso posso te dar: um mar antigo e confiável
cujas marés — mesmo se fogem — retornam,
cujas correntes ocultas não levam destroços
mas o sonho interminável das sereias.
O texto acima foi extraído do livro "Secreta Mirada", Editora Mandarim - São Paulo, 1997, pág. 151.

Escrever é transgredir segundo Lya Luft. Sempre escrevi demais e nunca havia pensado sobre isso. Transgredir o quê? Acredito que o pensamento seja a matéria anterior às palavras para que o foco escrito seja criado. Verdade é que eu penso demais e preciso registrar esta matéria etérea em matéria concreta. Onde está a transgressão? Me sinto uma infratora pensando sobre este aspecto. Não sou da época em que jovens e adolescentes partiam para as ruas reivindicando "tudo". Talvez tenha sido transgressora no ato de acreditar demais que a palavra "por que" seja o fator que mais marcou meu progresso. Eu sempre a usei demasiadamente. Não acredito em pessoas que se fartam de conceitos prontos sem questioná-los, não há como sorver conhecimento se não o fragmentarmos primeiro. Imaginem uma casa sendo construída de uma só vez sem a percepção de um tijolo sobre outro. Talvez os detalhes se perdessem nessa pressa. Sim, os detalhes. Eles são muito importantes, e infelizmente, ficam soltos por aí vez ou outra.
Eu me percebo muito feliz ultimamente. A companhia dos meus alunos me faz muito bem. Eu gostaria de conseguir a transgressão das palavras e dos "por ques" na cabeça deles. Me sinto muito triste quando os ouço dizer que odeiam escrever. Mas eu sou muito teimosa e não desisto nunca.
Costumo dizer que os erros são pedrinhas para os acertos. Às vezes, essas pedras vestidas sob o manto dos erros e das dúvidas, crescem e formam grandes montanhas. Olhamos para cima e não há como não pensar: "Nunca conseguirei chegar ao topo". O que não percebemos é que sem essas pedras a montanha não existiria, e estaríamos sempre fadados ao terreno plano e rotineiro de sempre. Nunca teríamos a possibilidade de alcançar as estrelas, de subir. São exatamente as pedrinhas que formam a montanha e, esta, passo a passo, buscamos escalar.
Eu li que "A poesia é a linguagem que canta", e eu digo mais, nossas vidas são grandes poemas inacabados e que podem ser reescritos a cada dia.