
Vida
"Livra-se de todo seu passado, ponha à parte todo aprendizado e só assim poderá saber o que é viver.
Viver é morrer, morrer todos os dias para tudo aquilo que lutamos para alcançar e que acumulamos.
Morrer para a nossa própria importância, nossa auto-compaixão, nossa tristeza, para os prazeres e agonias dessa coisa chamada viver.
Transcender o impossível. Só há amor quando nenhuma autoridade existe."
(Raul Seixas)

Obrigada pelas palavras de carinho e apoio. Cada uma delas tem me feito um bem enorme e são como gotinhas de esperança que enche meu coração. Nessas horas os bons pensamentos são essenciais.
Mesmo não escrevendo venho todos os dias para ler e fiquei surpresa com a quantidade de amigos me fazendo companhia.
Muito obrigada!
Esses dias a Mirela (a filha da minha prima) pediu uma escada "grandona" para ir ao céu ver a mamãe. Eu gostaria também de ter uma escada dessas para ver todos vocês.
Um beijo a todos!
DESPEDIDA

Eu pensei muito para escrever aqui hoje. Todos esses dias não consegui. Resumindo a história, minha prima irmã, nascida no mesmo dia de minha irmã mais velha, crescemos juntas, foi assassinada friamente com um tiro na cabeça e jogada em um canavial aqui em Catanduva. Ela ficou dezesseis dias desaparecida e foi encontrada porque uma máquina de cortar cana ficou emperrada com o osso da sua perna. O corpo foi velado, ou melhor, o que sobrou dele, dentro de um saco plástico e num caixão lacrado.
Eu falei com ela no dia anterior, ela tinha planos, estava feliz como sempre! Quem a matou? Cabe à polícia descobrir mas não me interessa. Ela morreu. Não volta mais. Morta por uma bolsa de jóias (ela vendia jóias), ou por outro motivo, quem sabe! Morta.
Nunca mais vai chegar aqui e pedir café como se o meu café fosse o mais gostoso do mundo. Nunca mais vai me chamar de "Di", nunca mais vai puxar meu cabelo brincando e dizendo que era peruca, nunca mais vai perguntar se eu estou bem! Mas ainda tem sua filhinha de sete anos...linda! Sua primeira festa junina dançando e a mãe não vai estar, nunca mais a mãe vai estar. Eu vou mas não sirvo como mãe. Ela dorme com a foto da mãe porque não quer esquecer seu rosto.
Que mundo é esse???!!!
O pior de tudo é que talvez o assassino seja conhecido. Será que isso vai passar um dia? Ela era linda, cheia de sonhos, bem vestida e arrumada e morreu. Enterrada sem roupa dentro de um saco de lixo. Duas horas de velório depois de dezesseis dias, nem preciso dizer que somente aqueles que não se importavam com o cheiro e que a amavam conseguiam ficar ali.
Eu pensei muito para escrever mas como meu blog sou eu e eu sou ele, não pude resistir. Eu sinto um misto de tristeza, dor, revolta, tudo resumido a uma simples palavra: saudade.
São várias perguntas: Será que ela sofreu? Será que demorou muito? Quando eu era menor e minha irmã se casou, eu tinha medo de dormir sozinha e ela vinha dormir comigo, costumava dizer que uma irmã foi embora mas a outra estava aqui. Eu estou chorando agora porque não consegui segurar na mão dela como tantas vezes ela fez comigo.
Mas eu posso segurar na mão da Mirelinha. Eu te prometo que enquanto eu viver eu vou estar perto dela.
Eu sinto sua falta.
Te amo minha irmãzinha. Sempre.

Geraldo Azevedo & Zé Ramalho & Elba Ramalho - Chão De Giz
by Zé Ramalho
Eu desço dessa solidão, espalho coisas sobre um chão de giz
Há meros devaneios tolos a me torturar
Fotografias recortadas de jornais de folhas amiúde
Eu vou te jogar num pano de guardar confetes
Eu vou te jogar num pano de guardar confetes
Disparo balas de canhão, é inútil, pois existe um grão vizir
Há tantas violetas velhas sem um colibri...
Queria usar quem sabe uma camisa de força ou de Vênus
Mas não vão gozar de nós apenas um cigarro
Nem vou lhe beijar gastando assim o meu batom
Agora pego um caminhão, na lona vou a nocaute outra vez
Pra sempre fui acorrentada no seu calcanhar
Meus vinte anos de "boy, that's over, baby",
Freud explica
Não vou me sujar fumando apenas um cigarro
Nem vou lhe beijar gastando assim o meu batom
Quanto ao pano dos confetes já passou meu carnaval
E isso explica porque o sexo é assunto popular
No mais estou indo embora (7x)
No mais...

"...O corpo de Maria José foi encontrado no início da noite de anteontem, em um canavial localizado na Rodovia Vicinal Primo Novelli, em Pindorama, durante o trabalho de funcionários de uma usina, que cortavam a cana com uma máquina.
“De repente, o tratorista percebeu que algo havia enroscado na máquina, desceu para ver o que era e constatou que era um corpo.
O que dificultou o reconhecimento do corpo, ainda no local, foi o estado de decomposição, além de ter sido despedaçado pela máquina.
Os policiais encontraram, ainda, na cabeça da vítima, uma sacola, que provavelmente foi usada para asfixiá-la..."
(fonte: O Regional de Catanduva - Online)
QUEM SOMOS?
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MOCINHO OU BANDIDO?

Estou trabalhando nas minhas aulas a linguagem genérica, ou melhor, o poder que exerce sobre as grandes massas. Pessoas ao longo da história utilizaram este recurso para mobilização e argumentação. Muitos percorreram o caminho das glórias e do bem.
Pelo exemplo acima, nem todos! Eu gostaria de saber em que momento da vida de uma pessoa como Hitler, ele descobre que tem esse poder? Acorda e pronto! Sente que pode difundir suas idéias e reunir milhões de adeptos que o aplaudam com veemência. Que poder é esse que consegue apagar e neutralizar qualquer manifestação de bom senso? O poder da linguagem. Quanta responsabilidade carrega quem domina tal poder.
Hitler é um nome fechado, exatamente igual sua personalidade. Será que todo monstro de nossa sociedade sabe que é monstro? Talvez, um dia, nosso vizinho, nosso amigo ou nós mesmos acordemos numa linda manhã e descubramos repentinamente que somos monstros. Monstros de uma sociedade falida, hipócrita, a qual pessoas são divindades fabricadas pela mídia. Ninguém sabe o nome do fundador do hospital mais antigo da minha cidade, um missionário maravilhoso, mas todo mundo conhece o Marcola, a Suzane von Richthofen e colocaria uma lista mas meus dedos não querem digitar.
Hoje, os mocinhos são passado e, os bandidos, são celebridades. Hitler viveu na época errada. Hoje, ele dominaria o mundo sem que ninguém percebesse. Nas minhas aulas quando eu peço exemplos de linguagem genérica que mobilizou o mundo, Hitler é o primeiro exemplo.
Mas há um outro que acredito ser o maior de todos. Ele usou a palavra para revolucionar. Hitler usou a palavra, a câmara de gás, as injeções letais, as torturas, as armas, enfim, não bastou somente a palavra.
Há outro que dispensou toda força da espada para somente falar e emocionar. Entre os maiores exemplos está Jesus. Este sim pode-se dizer que soube dominar a linguagem como poucos. Eu não quero convencer ninguém de nada e cada um tem suas próprias convicções. Somente quis escrever pois senti vontade.
Acabei de ler o livro "Adolf Hitler, MINHA LUTA", de Mein Kampf e uma entrevista feita com Hitler e publicada no Jornal Brasil na íntegra. Senti náusea ao ler mas como gosto de ter conhecimento de várias coisas para poder opinar fiz o esforço. Vou reproduzir apenas uma pergunta porque todas seria impossível.
- O senhor despreza os negros. No Brasil, apesar de serem vítimas de poderosos mecanismos de exclusão sóciocultural, existem negros que vêm se destacando em todas as áreas. O que o senhor tem a dizer a respeito, por exemplo, dos artistas, dos escritores, dos cientistas e dos juristas negros que venceram todos os enormes obstáculos e se impuseram à admiração geral?
- Um negro que se torna advogado... Isso é um ultraje, uma ofensa à nossa razão! É uma idiotice criminosa a de quem adestrou durante tantos anos um meio-macaco até chegar ao ponto de fazer acreditarem que ele é um advogado. Enquanto isso acontecia, enquanto esse investimento era feito, milhões de indivíduos pertencentes às raças mais elevadas ficaram subaproveitados! (Hitler).
Será que a sociedade está livre de todos os montros ou apenas eles estão camuflados de mocinhos? Ou ainda com roupagem nova de linguagem diferenciada. Os tempos mudam e os monstros continuam.

"...Há quem se cale por não saber falar,
e quem se cale porque reconhece quando é tempo (de falar).
O sábio permanece calado até o momento (oportuno),
mas o leviano e imprudente não espera a ocasião.
Aquele que se expande em palavras, prejudica-se a si mesmo;
quem se permite todo o desregramento torna-se odioso..."
(Eclesiástico, 20:6,7,8).